Estava eu, vindo do comercio com o meu irmão. A alguns dias atrás ele havia comentado sobre o novo rapaz que tinha vindo do sul, e agora estava morando em nossa rua. Eu ouvi calada, e prestando atenção.
Isso era segredo meu (agora não é mais), mas a alguns dias antes de te encontrar pela primeira vez, eu estava sozinha enxugando pratos e chorando calada pela minha solidão. Até que olhei pela janela e no céu negro vi um avião com duas luzes: uma amarela e uma vermelha. Então eu rezei para que aquele avião me trouxesse algum amigo, me trouxesse algum milagre, alguma coisa extraordinária, qualquer coisa. Só não queria mais ficar sozinha...
Até que aconteceu.
Subindo a ladeira, percebo meu irmão desviando do caminho pra casa, e indo em direção ao um grupo de rapazes que estavam sentados conversando na porta das escadarias de um prédio.
Olhei rapidamente, e no meio deles, estava um rosto novo.
"Hum... Aquele deve ser o rapaz novo que chegou por aqui. Parece velho, e é muito branco. Deve ser um outro idiota qualquer."
E continuei a andar, deixando meu irmão, você e todos os outros rapazes de lado.
Assim aconteceu nosso primeiro encontro, e quer saber, minha primeira impressão de você não estava errada não. Você, meu senhor, é sim um grandississimo idiota, que me completou e me ensinou coisas maravilhosas sobre esse mundo ruim.
Lembro de nossas pequenas conversas iniciais, tão tímidas. Lembro do dia em que te coloquei dentro de casa sem saber que não havia ninguém a não ser eu e você. Lembro da sua cara de assustado, com seu sorriso bobo e seus olhos expressivos. Lembro das músicas que você me fez ouvir, lembro dos nossos abraços demorados, e do dia em quem você tentou salva minha vida, não me deixando sozinha num momento muito ruim. Lembro do seu cheiro, e do seu cabelo longo, que uma vez eu enchi de biliros tentando fazer uma touca. Lembro das nossas conversar atravessadas no meio da tarde e da poeira: Eu sentada do lado de dentro da grade, como uma presidiaria, e você do lado de fora, como um "livre de mais". Lembro do dia em que você estava bêbado, e eu entrei em choque, te mandando tomar água, água com açúcar, café, banho, calmante, cama e uma outra lista de coisas banais, que não funcionaram. Lembro das feiras de ciências que estivemos juntos. Sempre acontecia algo de ruim, não era? Lembro de mim tentando de consolar, lembro de você me agradecendo depois. Lembro do dia do seu aniversario, lembro de você tocando orgulhoso a sua guitarra para eu ver. Lembro de você me chamando de "irmãsoca", afagando a cabeça, e me olhando com esses seus olhos enormes... Eu lembro também de quando você foi embora. Lembro que queríamos chorar, mas a vontade de parecermos fortes não nos deixou em paz. Lembro do beijo na testa que eu te dei, e do abraço forte que recebi.
Lembro depois das nossas conversas pelo telefone, e das vezes que chorei de muita saudade. Lembro que agora continuamos os mesmo. Talvez não tão mais os mesmos, porque crescemos, mas ainda sim, continuamos os dois bobos, os dois irmãos, os mesmos. Eu te amo meu caro irmão, e não importa em que diabo de lugar você se meta, eu estarei aqui e continuarei a lembrar de nos dois.
Beijos, que você crie juízo.
-x-
Dedicado a Rafael de Lima Santos. Eu te amo meu irmão.
-x-
Ah, este texto é antigo... O que não significa que eu não tenha nada de novo pra postar...
Mas significa que vale postar ele de novo...=]
Beijos
=]
