Para um irmão =]

16/11/2009

Lembro de como nos encontramos pela primeira vez, sabia?
Estava eu, vindo do comercio com o meu irmão. A alguns dias atrás ele havia comentado sobre o novo rapaz que tinha vindo do sul, e agora estava morando em nossa rua. Eu ouvi calada, e prestando atenção.
Isso era segredo meu (agora não é mais), mas a alguns dias antes de te encontrar pela primeira vez, eu estava sozinha enxugando pratos e chorando calada pela minha solidão. Até que olhei pela janela e no céu negro vi um avião com duas luzes: uma amarela e uma vermelha. Então eu rezei para que aquele avião me trouxesse algum amigo, me trouxesse algum milagre, alguma coisa extraordinária, qualquer coisa. Só não queria mais ficar sozinha...
Até que aconteceu.
Subindo a ladeira, percebo meu irmão desviando do caminho pra casa, e indo em direção ao um grupo de rapazes que estavam sentados conversando na porta das escadarias de um prédio.
Olhei rapidamente, e no meio deles, estava um rosto novo.
"Hum... Aquele deve ser o rapaz novo que chegou por aqui. Parece velho, e é muito branco. Deve ser um outro idiota qualquer."
E continuei a andar, deixando meu irmão, você e todos os outros rapazes de lado.
Assim aconteceu nosso primeiro encontro, e quer saber, minha primeira impressão de você não estava errada não. Você, meu senhor, é sim um grandississimo idiota, que me completou e me ensinou coisas maravilhosas sobre esse mundo ruim.
Lembro de nossas pequenas conversas iniciais, tão tímidas. Lembro do dia em que te coloquei dentro de casa sem saber que não havia ninguém a não ser eu e você. Lembro da sua cara de assustado, com seu sorriso bobo e seus olhos expressivos. Lembro das músicas que você me fez ouvir, lembro dos nossos abraços demorados, e do dia em quem você tentou salva minha vida, não me deixando sozinha num momento muito ruim. Lembro do seu cheiro, e do seu cabelo longo, que uma vez eu enchi de biliros tentando fazer uma touca. Lembro das nossas conversar atravessadas no meio da tarde e da poeira: Eu sentada do lado de dentro da grade, como uma presidiaria, e você do lado de fora, como um "livre de mais". Lembro do dia em que você estava bêbado, e eu entrei em choque, te mandando tomar água, água com açúcar, café, banho, calmante, cama e uma outra lista de coisas banais, que não funcionaram. Lembro das feiras de ciências que estivemos juntos. Sempre acontecia algo de ruim, não era? Lembro de mim tentando de consolar, lembro de você me agradecendo depois. Lembro do dia do seu aniversario, lembro de você tocando orgulhoso a sua guitarra para eu ver. Lembro de você me chamando de "irmãsoca", afagando a cabeça, e me olhando com esses seus olhos enormes... Eu lembro também de quando você foi embora. Lembro que queríamos chorar, mas a vontade de parecermos fortes não nos deixou em paz. Lembro do beijo na testa que eu te dei, e do abraço forte que recebi.
Lembro depois das nossas conversas pelo telefone, e das vezes que chorei de muita saudade. Lembro que agora continuamos os mesmo. Talvez não tão mais os mesmos, porque crescemos, mas ainda sim, continuamos os dois bobos, os dois irmãos, os mesmos. Eu te amo meu caro irmão, e não importa em que diabo de lugar você se meta, eu estarei aqui e continuarei a lembrar de nos dois.


Beijos, que você crie juízo.

-x-



Dedicado a Rafael de Lima Santos. Eu te amo meu irmão.
-x-


Ah, este texto é antigo... O que não significa que eu não tenha nada de novo pra postar...
Mas significa que vale postar ele de novo...=]
Beijos
=]

A maça.

09/11/2009

Por Magnólia (possível prólogo)
" As cartas já haviam me dito. E eu nem reparei, mas era lua cheia.
Coisa de destino mesmo, bem feito, bem armado.
'Perto do início...', disseram-me as cartas, eu acreditei. Bati a porta, sai de casa, e com meu melhor vestido de sexta-feira conheci um belo homem com olhos de domingo. Quase fantasmagorico, pálido, túnica negra, no show macabro da banda que nós dois amávamos; Amamos a nós dois.
Treze dias se passaram e novamente puxo as cartas: O Louco, O Mago, A Lua, A Morte... Sequência estranha. 'Perto do fim...', dizem agora as cartas, e eu devo acreditar, mas não me amedrontar, pois na vida, há varias coisas que devem morrer para que novas nasçam... Alias, na vida, há varias coisas que podemos matar."

-x-



Esse seria um projeto de livro, mas eu acho que não vou continuar a escrever essa jossa.
Acho que esfriei, nem sei mais se eu tenho tanto assim a dizer as pessoas que fingem acompanhar esse blog...
De qualquer forma... Esta ai, o post ^^
PS: é uma pena o meu scanner estar brincando com a minha cara, porque eu desenhei uma possível capa para o livro, e queria mostrar... Deixa pra lá.

Até a próxima.

Diário de minha mascara

20/10/2009

"Tira as mãos de mim / poem as mãos em mim."

-x-

E tudo foi um lapso, um impulso maldito das minhas vontades mais secretas. Foi tudo bricadeira de criança, rodopio de criança, vontade de criança. Leia assim, é mais fácil para entender, Meu Amor.

-x-

Minha cabeça esta pesada.
Estive esperimentando as consequencias das minhas travessuras, nada muito doce, nem muito amargo. Não leve a mal, nunca faço nada tão grave. Talvez meu erro seja esse.
Ando na inercia, e assim pretendo ficar, sem palavras, sem atos... Zumbi durante uns dias.
Talvez eu até venha a abandonar esse blog um pouco mais, até que eu tenha algo decente para alguem ler, e chamar alguem para ler e esse alguem chamar alguem para ler... ... Coisa assim.
Depois eu volto, não esperem.


adiu.

Marília versus Marília

10/10/2009

Cap. VIII – Julgamento de morte.

- Não! Espere! Não é hora! Não me deixe aqui sozinha! Mamãe! Não me deixa mais uma vez!

Porque ela foi embora de novo? Deixou-me, de novo. Está caindo novamente daquele mesmo prédio maldito, com as mesmas roupas, as mesmas possíveis lágrimas, o mesmo vento no rosto, e talvez a mesma última dor. Deixou-me de novo. Por quê?

Acho que é assim que agem os egoístas, abandonam as pessoas que as amam, para viver uma dor ou duas. Abandonam a si e aos outros por egoísmo e incosequência. Quando penso assim, volto a ter 4 anos, quando à vi deitada em meio as pétalas, tão parada, talvez sonífera. Ainda assim tentei acorda-la.

E como alguém tem que ser o carrasco cruel, o meu pai me afastou, e me explicou...

-... Que nessa sua única vida, a oportunidade de ter mãe e amor, acabou de ir embora.

E eu chorei, como choro agora. Diante da porta de madeira, acuada como um gato de grandes olhos, sem mãe, sem Marília ou até mesmo um gato que eu poça acariciar. Sinto medo, a dor só aumenta, e a dúvida ainda sim me atordoa. Elas me deixaram sozinha...

- Deve ser feio abandonar não é? O que há? Perdeste a língua ou as forças? Oh! Mas é claro, que indelicadeza da minha parte, estas quase em uma pós-morte. Deve doer.

Ela não é a minha mãe... Quem é?

- Tua mamãe já saiu daqui não é? Deve ter ido avisar que te chegas. Sabe, quando ela chegou implorou para te esperar chegar!

- Onde estou?

- ONDE ESTÁ? Por Deus, como estás atrasada! Pensei que tua mãe fosse te explicar meu bem.

- Onde diabos estou!

Se ao menos eu pudesse enxergá-la... Ela fala com tanto desdém...

- Desdém é o que se recebe por um suicídio, e desdém é o que se recebe por ter sido uma má Vedere!

... E ainda lê pensamentos. Vaca.

- Pois então digo onde estas, porque é uma maldade deixar-te tão leiga diante de teu julgamento de morte.

Julgamento... Julgamento de quê!?!



Continua...



-x-


A tanto tempo eu não postava nada do livrinho...

Bem, eu tive a oportunidade lógica de talvez inalgurar meu livro na bienal do livro que tem aqui no Recife... Mas eu não procurei alguma editora, nem fiz a lista de pessoas para corrigir o livro...=/

Preciso me apressar? Ou é cedo?

Vitrines.

02/10/2009

Te vejo dentro de teus olhos, não enchergo nada ao redor, apenas os teus olhos morenos. Não sei se já te disse, mas você tem olhos de vitrine, vejo todo o teu interior dentro deles e sei, não é tão difícil desvenda-lo.
Talvez porque você prefira ficar calado, ouvindo.
Olhos de farol.
E dentre teu par de vitrines vejo uma espécie de sonho estranho, parecido com o meu, talvez. Quem sabe eu possa ver teu futuro não só pela palma de tuas mãos (como uma boa bruxa), mas também pelo teu par de almas morenas. Quem sabe eu possa assustar-te com minhas teorias longas e meus dedilhados ruins. Quem sabe eu possa adentrar em teus olhos longos, só para sentir teu conceito de verdade?
Menino dos olhos de alma.
E que teus lábios falem apenas o necessário, e que me sejam familiares, assim como teus olhos, e todo o imenso resto de ti.


Eu te amo.

Balada dos sinos doentes - Parte 2.

27/09/2009

Água à direita. Peguei, contei até três e engoli o comprimido vermelho. Só depois que senti ele descendo pela garganta, me dei conta da loucura que estava fazendo. Eu não conhecia nada ali e já estava tomando água gelada com droga doce. Eu nunca tinha tomado nenhuma droga na vida. Fiquei encarando meu rosto no espelho, até que senti um certo mal estar, uma espécie de tristeza uma dormência no corpo e a cabeça pesando como chumbo. A cabeça caiu e os olhos focaram os meus pés que permaneciam fincados duramente no chão. Com algum esforço levantei a cabeça e ao me encarar no espelho, tive um susto, porque não me vi. Olhei para minhas mãos, meus pés, minha blusa preta, e consegui enxergar tudo, menos o meu reflexo. Sai correndo de dentro do banheiro e ao pisar na sala principal, ouvi sons de sinos e o dance triste. Senti leveza no corpo e peso na cabeça. As pessoas continuavam dançando como antes, mas algumas brilhavam e outras tinham vetores em seus movimentos. As manchas fosforescentes nas paredes tinham formato de sinos, badalando harmonicamente, e o rapaz que me deu os dois comprimidos, tinha um par de asas de anjo. Me peguei dançando em pouco tempo, tão tristemente como as outras pessoas. Tentei tocar um rapaz, que ao sentir meu toque, me abriu um par de olhos azuis fortíssimos e se aproximou beijando minha testa e indo embora. A moça do banheiro estava perto das caixas de som e da parede pintada com dois sinos, ela fazia movimentos com as mãos semelhantes aos de alguém que colhe frutas. Tudo em si era frenezi e desespero. Notei duas ou três pessoas que choravam, outras agarravam-se aos sinos, e tinha um casal nu, no canto da parede, ensaiando uma posição qualquer do kama Sutra, mas isso não me exitou, só me enjoou, então parei de olhar. O dia vinha raiando e os primeiros pontos de luz foram aparecendo no salão. A luz doía em meus olhos, não só nos meus olhos, mas nos de todos, então de um a um, foram tomando o comprimido azul. Pouco tempo depois eu pude entender o desespero em tomar o comprimido azul. Quanto mais luz, mais dor. E a naúsea consumia minha mente até que eu decidi não teimar mais e "acordar". Não tinha quase ninguém no salão. Freneticamente, meti o comprimido na boca e corri para a água à direita, mas antes que eu achasse água, o comprimido derreteu-se na minha boca. Senti um gosto muito amargo, e em seguida uma dor semelhante a vários bofetões. Cai no chão e me encolhi abrindo os olhos para começar a pedir ajuda, mas vi que não estava agonizando sozinha. Não havia casal transando, todos estavam vestidos e caídos, como muitos mortos dentro de uma guerra. A moça do banheiro tremia no chão, e muitos gemiam e choravam. A amargura era grande, um arrependimento da vida, um choro desesperado... E a dor nem contava mais. O que derrubava mesmo era o vazio. Todos foram se levantando, um a um tomar água, disfarçar o rosto de sofrimento, alguns choraram mais um pouco, e murmuravam sobre qualquer coisa triste, mas todos saíram na mesma hora, quando o sol já ia relativamente alto, maltratando a todos.

Voltei para casa, mais frustrada do que fui e ao abrir a porta, vi um bilhete no chão de dizia:


"Não vale a pena, não é?
Não fuja." D.A.

- De fato, desse jeito, nada vale a pena. - Respondi e entrei para tomar um banho, rasgar o bilhete e cair num sono descente.

Nunca mais voltei lá.

Balada dos sinos doentes - Parte 1.

20/09/2009

Juntei as forças, e o resto do dinheiro que tinha e sai na madrugada com meu carro silenciosamente. Este é o bom de morar só, pode-se sair escondido, mesmo quando não se tem ninguém para se esconder. Dirigi até uma chacara próxima a cidade, o endereço estava certo segundo o cartão que recebi. A madrugada estava seca e fria, escura, associável a um mal estar. Na casa estava tendo uma festa, ouvia-se as músicas, mas não se via um ponto luminoso, sem que fossem as estrelas, claro. Entrei na casa e pude conferir um número não tão grande de pessoas que dançavam um dance triste. Parecia fim de festa, mas ainda era o começo. As paredes estavam manchadas de uma espécie de tinta que era fosforescente, em tons azulados, amarelados e alaranjados e o odor era de alfazema e tristeza. Um rapaz me parou e me entregou dois comprimidos e um bilhete:

"Com o azul você acorda,
Com o vermelho você dorme."

Entregou e foi embora. Nunca festa normal as pessoas bebem e fumam, mas não havia ninguém bebendo ou fumando, ou dançando mais perto de alguém como numa espécie de cópula convencional. Só se tinham os dois comprimidos e água à direita, perto dos banheiros. Guardei a droga e fui ao banheiro, de onde saia uma luz fraca. Lá, achei uma moça prestes a tomar o comprimido vermelho.

- Você vai tomar mesmo isso?
- Vou, e você? Sem eles é impossível ficar aqui.

Fez sentido.

- Mas esse é o comprimido vermelho, vai fazer você dormir, é o sonífero.
- Durmo para esse mundo, e acordo para o outro. Essa é a jogada.
- E o de acordar?
- Com esse, você sai daqui.

Peguei novamente os comprimidos e olhei nos tristes olhos da moça.

- Adeus - Disse ela.
- Até mais?

Ela tomou tudo, e em poucos minutos suas pupilas dilataram-se assustadoramente, a ponto de poder-se vê-las no reflexo do espelho. A moça dirigiu-se para fora do banheiro, numa marcha quase robótica. Encarei novamente os comprimidos e decidi então experimenta-los, já que estava ali para fugir de mim mesma, o que poderia perder?