Diário de minha mascara
20/10/2009
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E tudo foi um lapso, um impulso maldito das minhas vontades mais secretas. Foi tudo bricadeira de criança, rodopio de criança, vontade de criança. Leia assim, é mais fácil para entender, Meu Amor.
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Minha cabeça esta pesada.
Estive esperimentando as consequencias das minhas travessuras, nada muito doce, nem muito amargo. Não leve a mal, nunca faço nada tão grave. Talvez meu erro seja esse.
Ando na inercia, e assim pretendo ficar, sem palavras, sem atos... Zumbi durante uns dias.
Talvez eu até venha a abandonar esse blog um pouco mais, até que eu tenha algo decente para alguem ler, e chamar alguem para ler e esse alguem chamar alguem para ler... ... Coisa assim.
Depois eu volto, não esperem.
adiu.
Marília versus Marília
10/10/2009
Marcadores: Marília versus Marília- Não! Espere! Não é hora! Não me deixe aqui sozinha! Mamãe! Não me deixa mais uma vez!
Porque ela foi embora de novo? Deixou-me, de novo. Está caindo novamente daquele mesmo prédio maldito, com as mesmas roupas, as mesmas possíveis lágrimas, o mesmo vento no rosto, e talvez a mesma última dor. Deixou-me de novo. Por quê?
Acho que é assim que agem os egoístas, abandonam as pessoas que as amam, para viver uma dor ou duas. Abandonam a si e aos outros por egoísmo e incosequência. Quando penso assim, volto a ter 4 anos, quando à vi deitada em meio as pétalas, tão parada, talvez sonífera. Ainda assim tentei acorda-la.
E como alguém tem que ser o carrasco cruel, o meu pai me afastou, e me explicou...
-... Que nessa sua única vida, a oportunidade de ter mãe e amor, acabou de ir embora.
E eu chorei, como choro agora. Diante da porta de madeira, acuada como um gato de grandes olhos, sem mãe, sem Marília ou até mesmo um gato que eu poça acariciar. Sinto medo, a dor só aumenta, e a dúvida ainda sim me atordoa. Elas me deixaram sozinha...
- Deve ser feio abandonar não é? O que há? Perdeste a língua ou as forças? Oh! Mas é claro, que indelicadeza da minha parte, estas quase em uma pós-morte. Deve doer.
Ela não é a minha mãe... Quem é?
- Tua mamãe já saiu daqui não é? Deve ter ido avisar que te chegas. Sabe, quando ela chegou implorou para te esperar chegar!
- Onde estou?
- ONDE ESTÁ? Por Deus, como estás atrasada! Pensei que tua mãe fosse te explicar meu bem.
- Onde diabos estou!
Se ao menos eu pudesse enxergá-la... Ela fala com tanto desdém...
- Desdém é o que se recebe por um suicídio, e desdém é o que se recebe por ter sido uma má Vedere!
... E ainda lê pensamentos. Vaca.
- Pois então digo onde estas, porque é uma maldade deixar-te tão leiga diante de teu julgamento de morte.
Julgamento... Julgamento de quê!?!
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A tanto tempo eu não postava nada do livrinho...
Bem, eu tive a oportunidade lógica de talvez inalgurar meu livro na bienal do livro que tem aqui no Recife... Mas eu não procurei alguma editora, nem fiz a lista de pessoas para corrigir o livro...=/
Preciso me apressar? Ou é cedo?
Vitrines.
02/10/2009
Talvez porque você prefira ficar calado, ouvindo.
Olhos de farol.
E dentre teu par de vitrines vejo uma espécie de sonho estranho, parecido com o meu, talvez. Quem sabe eu possa ver teu futuro não só pela palma de tuas mãos (como uma boa bruxa), mas também pelo teu par de almas morenas. Quem sabe eu possa assustar-te com minhas teorias longas e meus dedilhados ruins. Quem sabe eu possa adentrar em teus olhos longos, só para sentir teu conceito de verdade?
Menino dos olhos de alma.
E que teus lábios falem apenas o necessário, e que me sejam familiares, assim como teus olhos, e todo o imenso resto de ti.
Eu te amo.
Balada dos sinos doentes - Parte 2.
27/09/2009
Água à direita. Peguei, contei até três e engoli o comprimido vermelho. Só depois que senti ele descendo pela garganta, me dei conta da loucura que estava fazendo. Eu não conhecia nada ali e já estava tomando água gelada com droga doce. Eu nunca tinha tomado nenhuma droga na vida. Fiquei encarando meu rosto no espelho, até que senti um certo mal estar, uma espécie de tristeza uma dormência no corpo e a cabeça pesando como chumbo. A cabeça caiu e os olhos focaram os meus pés que permaneciam fincados duramente no chão. Com algum esforço levantei a cabeça e ao me encarar no espelho, tive um susto, porque não me vi. Olhei para minhas mãos, meus pés, minha blusa preta, e consegui enxergar tudo, menos o meu reflexo. Sai correndo de dentro do banheiro e ao pisar na sala principal, ouvi sons de sinos e o dance triste. Senti leveza no corpo e peso na cabeça. As pessoas continuavam dançando como antes, mas algumas brilhavam e outras tinham vetores em seus movimentos. As manchas fosforescentes nas paredes tinham formato de sinos, badalando harmonicamente, e o rapaz que me deu os dois comprimidos, tinha um par de asas de anjo. Me peguei dançando em pouco tempo, tão tristemente como as outras pessoas. Tentei tocar um rapaz, que ao sentir meu toque, me abriu um par de olhos azuis fortíssimos e se aproximou beijando minha testa e indo embora. A moça do banheiro estava perto das caixas de som e da parede pintada com dois sinos, ela fazia movimentos com as mãos semelhantes aos de alguém que colhe frutas. Tudo em si era frenezi e desespero. Notei duas ou três pessoas que choravam, outras agarravam-se aos sinos, e tinha um casal nu, no canto da parede, ensaiando uma posição qualquer do kama Sutra, mas isso não me exitou, só me enjoou, então parei de olhar. O dia vinha raiando e os primeiros pontos de luz foram aparecendo no salão. A luz doía em meus olhos, não só nos meus olhos, mas nos de todos, então de um a um, foram tomando o comprimido azul. Pouco tempo depois eu pude entender o desespero em tomar o comprimido azul. Quanto mais luz, mais dor. E a naúsea consumia minha mente até que eu decidi não teimar mais e "acordar". Não tinha quase ninguém no salão. Freneticamente, meti o comprimido na boca e corri para a água à direita, mas antes que eu achasse água, o comprimido derreteu-se na minha boca. Senti um gosto muito amargo, e em seguida uma dor semelhante a vários bofetões. Cai no chão e me encolhi abrindo os olhos para começar a pedir ajuda, mas vi que não estava agonizando sozinha. Não havia casal transando, todos estavam vestidos e caídos, como muitos mortos dentro de uma guerra. A moça do banheiro tremia no chão, e muitos gemiam e choravam. A amargura era grande, um arrependimento da vida, um choro desesperado... E a dor nem contava mais. O que derrubava mesmo era o vazio. Todos foram se levantando, um a um tomar água, disfarçar o rosto de sofrimento, alguns choraram mais um pouco, e murmuravam sobre qualquer coisa triste, mas todos saíram na mesma hora, quando o sol já ia relativamente alto, maltratando a todos.
"Não vale a pena, não é?
Não fuja." D.A.
- De fato, desse jeito, nada vale a pena. - Respondi e entrei para tomar um banho, rasgar o bilhete e cair num sono descente.
Nunca mais voltei lá.
Balada dos sinos doentes - Parte 1.
20/09/2009
"Com o azul você acorda,
Com o vermelho você dorme."
Entregou e foi embora. Nunca festa normal as pessoas bebem e fumam, mas não havia ninguém bebendo ou fumando, ou dançando mais perto de alguém como numa espécie de cópula convencional. Só se tinham os dois comprimidos e água à direita, perto dos banheiros. Guardei a droga e fui ao banheiro, de onde saia uma luz fraca. Lá, achei uma moça prestes a tomar o comprimido vermelho.
- Você vai tomar mesmo isso?
- Vou, e você? Sem eles é impossível ficar aqui.
Fez sentido.
- Mas esse é o comprimido vermelho, vai fazer você dormir, é o sonífero.
- Durmo para esse mundo, e acordo para o outro. Essa é a jogada.
- E o de acordar?
- Com esse, você sai daqui.
Peguei novamente os comprimidos e olhei nos tristes olhos da moça.
- Adeus - Disse ela.
- Até mais?
Ela tomou tudo, e em poucos minutos suas pupilas dilataram-se assustadoramente, a ponto de poder-se vê-las no reflexo do espelho. A moça dirigiu-se para fora do banheiro, numa marcha quase robótica. Encarei novamente os comprimidos e decidi então experimenta-los, já que estava ali para fugir de mim mesma, o que poderia perder?
- Sem nome -
04/09/2009
"Olhos de assassinato", brincava Velga, mesmo sabendo que ela iria envaidecer-se a ponto de um dia cometer um assassinato para fazer jus aos olhos. No fundo, era o que Velga desejava, estava cansada do tédio doméstico, das traições de Henrique, e como se não bastasse, enfurecida com a bastarda ninfeta que ousava desafiar-lhes diretamente.
Júlia entrou ofegante no cómodo, e retirou do bolso toda quinquilharia coletada.
- Vamos, leia! - Suspirou Júlia.
Em voz baixa, Velga engoliu seis linhas de amor frondoso e juvenil.
- Típico e vulgar, como qualquer criatura apaixonada com vinte anos.
- Tem certeza que é dela mesmo? Não quer comparar com a letra da carta que ela te mandou?
- Não... Eu reconheceria essa forma de escrever até no inferno.
- Nós duas sabemos que não há nada que se possa fazer. Ele já disse, não quer mais o casamento.
- Não! Na verdade ainda há uma coisa a se fazer...
- Um bolo?
- ... Uma vingança.
Amassou os bilhetes, e os olhos encheram-se de lágrimas. Júlia achou a cena linda, mostrou-lhe um sorriso sem dentes e recolheu o par de lágrimas.
Sobre ele:
27/08/2009
As vezes ele faz a linha moda antiga: Mocinho indo na casa da mocinha com rosas ou mimos, beijando a mão da mocinha, não só a mão, mas também o corpo todo. Ele é dedicado e cuidadoso como um pai-amado-amigo. Gosta de chocolates, e outras guloseimas, mas consegue fazer a proeza de não gostar de soda com ruffs (erre o nome, aposto). Sua teimosia é fatal sua força de vontade também, mas seus "tantos defeitos" parecem invisíveis para mim, e eu os amo.
Ele é assim, é bonito.
